Vang Vieng: super guia de viagem

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Sobre Vang Vieng

Vang Vieng é uma cidade rural e montanhosa que fica mais ou menos no meio do Laos, entre Luang Prabang e Vientianne, esta última sendo a capital. Com cerca de 50.000 habitantes, a pequena cidade vive basicamente do turismo de mochileiros que querem ficar loucos, em sua maioria, australianos e europeus. Muitos deles curtem tanto a cidade que largam tudo para ficar por lá, trabalhando em bares e hostels. 

Às margens do rio Nam Song, é uma cidade cercada por montanhas e campos de plantação de arroz. É o paraíso dos mochileiros há bastante tempo devido à famosa descida de boia pela correnteza do rio, conhecida como tubing. Há também outras atividades ecológicas e uma vida noturna bastante agitada, como vou contar logo abaixo. Se você procura isso, Vang Vieng é perfeita, pois é conhecida como a cidade das festas do Laos. Luang Prabang e Vientianne tem ritmos bem menos acelerados! 

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Um pouco de história

Não consegui descobrir muita coisa sobre a história antiga de Vang Vieng, mas a cidade tem uma história recente bastante trágica. Preparada para ouvir? No meio dos anos 2000, um fazendeiro da região resolveu comprar algumas boias para os visitantes fazerem o famoso “tubing”, e a ideia foi se difundindo e todos os mochileiros queriam ir para Vang Vieng. Até aí tudo muito bem, né? Quem não quer o turismo chegando na sua cidade?

Agora olha esse dado (não oficial): em 2012 estimava-se que 1500 famílias viviam de aluguel de boias, e a população de turistas chegava a ser 15 vezes a da cidade. Muitos bares foram abrindo ao longo das margens do rio, oferecendo shots de graça, drogas ilícitas, tirolesas, escorregas, campos de futebol, dj, baldes de bebida, jogos como totó e ping pong, o famoso beerpong e mil outras atrações. Dizem que a cidade começou a virar o caos, com jovens bêbados 24h por dia e isso passou a incomodar.

Em 2011, o único hospital de Vang Vieng, que por sinal não tem estrutura nenhuma, computou 27 mortes de turistas. As mortes aconteciam de diversas formas, mas todos de pessoas bêbadas ou drogadas, é claro. Em 2012, então, o governo tomou uma atitude: só permitiu o funcionamento de 4 bares ao longo do rio. O trajeto ficou mais organizado, e foi estipulado um tempo em cada bar; o número de boias disponíveis passou de 500 para 150 (por isso hoje você tem que chegar cedo para garantir a sua boia); e os bares com festas passaram a funcionar apenas até às 2h da manhã. O controle sobre a venda de drogas também se acirrou, é claro. 

A luta pra apagar a imagem suja da cidade de certa forma funcionou. Minha visita à cidade, em Janeiro de 2015 não me trouxe a impressão de que tanta tragédia havia acontecido ali pouco tempo antes. Ou seja, a cidade ainda mantém a fama das festas, porém muito mais controlada, e esse controle é realmente perceptível. Antes de escurecer, por exemplo, há guardas passando em todos os bares e "expulsando" todos os turistas para que não fique ninguém no local à noite. Resumindo, ainda não é o local menos perigoso do mundo, mas não vi nenhum problema em descer o rio de boia - com consciência do que se está fazendo, é claro!

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O que fazer

Conforme já comentei, o tubing é realmente o maior atrativo da cidade, mas você também pode e deve ir à cidade para relaxar, entrar em contato com a natureza e com toda a espiritualidade que só a Ásia tem. Se você passou dos 35, provavelmente não vai querer se aventurar (ou se arriscar) nessa brincadeira "idiota" que é o tubing, até porque a média de idade está abaixo dos 25. Obs: ainda bem que fui aos 24 e agora estou bem legal, não faria o tal tubing de novo! Haha! Mas vamos lá!

Tubing: tem todo um ritual que dura basicamente o dia inteiro. Você aluga sua boia numa loja no centrinho que faz uma fila desde cedo. Com a boia em mãos, você pega um dos tuk tuks que também fazem fila ali com destino à beira do rio - ou melhor, ao primeiro dos 4 bares. Antes disso, compre uma bolsinha à prova d'água para guadar seu celular e dinheiro! Você pode escolher se quer frequentar os bares ou não. No momento que estiver preparada, jogue sua boia no rio, deite nela e aí a correnteza te puxará automaticamente. Não é um passeio aventura, porque a boia vai realmente bem devagar (na época da seca!!!). A paisagem ao redor é linda, então aproveite muito! 

Li uma dica super legal na internet: quem não consegue se controlar com a bebida pode fazer o passeio de tubing num primeiro momento sem beber, apenas descendo o rio e curtindo a paisagem, e num segundo momento, deixar a boia no tuk tuk e ir nadando de bar em bar (são distâncias curtas) e então beber o quanto quiser. Depois é só pegar o tuk tuk de volta. Não vai fazer a besteira de ir de scooter nesse caso, né?

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Caiaque: além do tubing, você também tem a opção de alugar um caiaque para descer o rio. Não fiz, mas também deve ser bastante legal, principalmente para casais, famílias, que querem estar um pouco mais protegidos e ainda assim fazer o passeio de descida pelo rio Nam Song.

Escalada: não escalei e nem me imagino escalando. Sei que há vários tours com guias e tudo mais. Mas não posso afirmar que seja algo seguro... essa coisa de capacete, cordas, não é comigo! Mas tem muita gente que gosta. Indicação: comprar o tour com a Adam's Rock Climbing School. E ah, você não precisa ter experiência, ok?

The Water Cave (Tham Nam): "você recebe uma boia e vai flutuando durante 30 minutos por dentro da caverna, às vezes num breu total. Você pode combinar a ida com outras cavernas como a Tham Jang e a Tham Phu – veja com agências como a Green Discovery, a mais confiável da cidade. Eles também têm tours com trilha, rafting, entre outros, veja o que te agrada mais". > Essa foi a dica das meninas do Carpe Mundi. Eu realmente não fiz nenhum desses passeios! :(

Blue Lagoon e Tham Poukham Cave: esse passeio foi feito por alguns amigos - vocês sabem que sou zero aventureira, então também pulei esse aqui, mas vou tentar explicar como funciona: você aluga uma bike também no centrinho, e percorre uma estradinha de terra de cerca de 11km de distância. Você também pode fechar um tuk tuk, mas todo mundo diz que a melhor parte é justamente esse trajeto de bike. Quando você chega na Lagoa Azul (é realmente bonita, vi muitas fotos), você pode nadar, mergulhar, saltar das codas tipo tarzan, ou sentar num pufe do lado de fora e beber uma cerveja. Não necessariamente você precisa entrar na caverna... Se você vai de bike, tem a volta com mais 11 km. E aí, animou? 

Passeio de balão: na estrada chegando em Vang Vieng, é possível avistar muitos balões de longe. É dali, perto da Blue Lagoon que eles saem. Se você tiver coragem, pode ser um passeio bem legal! Mas acho que só faria isso num país desenvolvido com uma boa estrutura. Já no Laos... acho que pode não ser uma boa ideia... Rs!

Festas: além das festas de dia, que estão pelos bares das margens do rio Nam Song, as feitas à noite acontecem em dois bares principais: no Sakura Bar ou no Smile Bar. Normalmente, os organizadores avisam tudo durante o passeio de tubing, ou pelo próprio centrinho, ou seja, certamente você vai saber "qual a boa da noite". Lembrando que as festas terminam por volta das 02h, então não chegue muito tarde. Gostei bastante do Sakura, as músicas estavam legais e o pessoal bastante animado - mochileiros, né?

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Quando ir

Na estação seca, entre Novembro e Fevereiro, porque é a melhor época para descer o rio, atração principal da cidade. Isso porque ele fica mais raso e a correnteza mais devagar, então não há tanto perigo. Dizem que nas épocas de chuva, ele fica mais cheio e com mais correnteza, provavelmente mais perigoso também! Eu fui em Janeiro e achei uma ótima época, estava calor, mas não choveu e pudemos aproveitar bastante, e em nenhum momento senti medo de descer o rio - e olha que sou bem medrosa!

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o que & onde comer

Bem complicado se alimentar bem em Vang Vieng! Os restaurantes que parecem ser bons, na verdade são bem ruins! Mas como você precisa ter força e saúde para fazer os passeios da viagem, vale a pena tentar. Há muitas barraquinhas nas ruas servindo panquecas, sanduíches, hamburgers, sucos e smoothies. De manhã realmente arriscávamos nesses smoothies para o "café", mas no almoço tentávamos comer pratos com arroz ou macarrão, e uma proteína nos restaurantes da rua principal. Infelizmente não registrei os nomes deles. Mas como ficam todos lado a lado, acho que vale a pena decidir na hora mesmo! ;)

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O que levar

Assim como expliquei no post de Luang Prabang, o país costuma ser bem quente. Mesmo em Vang Vieng que é uma cidade montanhosa, não senti frio em nenhum momento - fui em Janeiro. Dizem que de Abril a Junho é ainda mais quente. A sorte é que você não precisa de muita coisa para sua mala de Vang Vieng. O que recomendo:

  • Shorts

  • Camisetinhas

  • Biquínis ou maiôs para os passeios no rio. Atenção: um dos bares do tubing tinha lama, então basicamente estraguei um biquíni por lá. Não vá com nada muito novo!

  • Protetor solar e protetor labial sempre

  • Chinelos! Só isso que você precisa calçar nessa cidade.

  • Batas e vestidinhos, tudo bem fresquinho

  • Dinheiro em mãos

  • GoPro: para usar nos passeios do rio

  • Boia para a GoPro: muito importante, pois uma vez que a sua câmera cai no rio, você nunca mais encontra. Isso aconteceu com a gringa que estava descendo o rio do meu lado. Usamos uma máscara de snorkel para tentar encontrar, mas era impossível devido à cor turva da água. Infelizmente muita gente deve perder GoPro por lá...

  • Bolsinha para celular: isso você compra lá mesmo nas barraquinhas do centrinho. Importante que seu celular fique completamente lacrado dentro da bolsa, que é impermeável. A maioria das bolsinhas tem dois lacres como garantia de que não vai passar água. Pode confiar, mas não dê bobeira. Leve com a cordinha presa no pescoço.

  • Repelente: rio atrai mosquito, não tem jeito...

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Onde se hospedar

Primeiro não posso deixar de comentar que Vang Vieng é uma cidade bastante pobre, e por isso a rede hoteleira é muito fraca por lá. É mais fácil encontrar hostels e guestshouses do que hoteis propriamente ditos, embora nos últimos anos tenham surgido algumas novidades. A cidade em si, é bem pequena, então provavelmente você vai estar bem localizada, perto dos melhores restaurantes e bares.

Riverside Boutique Resort: de arquitetura colonial francesa, você pode relaxar na piscina do hotel enquanto observa a vista para as montanhas, jantar no restaurante do próprio hotel, receber uma bela massagem ou tomar um banho de banheira dentro do seu quarto. Esse é, provavelmente o hotel mais chic da cidade, e o preço super justo. O Restaurant du Crabe d’Or oferece pratos típicos do Laos e comidas tradicionais da França e da culinária asiática, assim como uma boa carta de vinhos.

Vieng Tara Villa (com vilas no estilo chalés) e Phoxay Ngam Resort (rodeado por área verde natural e campos de arroz) também foram bastante recomendados.

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Como se locomover

A pé: para ir aos principais bares e restaurantes, tomar um suco, fica tudo muito próximo.

Tuk tuk: para ir até o início do rio e fazer o famoso tubing, você vai se deslocar sempre de tuk tuk, tanto na ida quanto na volta. 

Scooter: você também pode alugar uma motinha para se locomover por lá, dizem que é bem barato! Aliás, Vang Vieng é uma cidade barata, comparada com Luang Prabang. 

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Como chegar

• Ônibus: fiz a viagem de Luang Prabang para Vang Vieng de ônibus, porém foi bem longa e cansativa. Tente passagem no ônibus VIP, que é um pouco mais confortável. A estrada é muito sinuosa e com bastante subida e buracos, você pode enjoar. Em alguns momentos, só se passa um carro, e além disso o ônibus vai parando (não há banheiro dentro dele), então você pode levar umas 8h na estrada para uma viagem que duraria 4h/5h! O ponto positivo é que a vista pela janela é realmente linda, e essa região montanhosa do Laos acabou me marcando muito - até desenhei um coração no vidro da minha janela para registrar esse momento de alegria em meio ao desconforto! Haha!

Particular: há transfers, vans e carros particulares que fazem o trajeto, e você pode ir tanto de Luang Prabang quanto da capital Vientianne com destino a Vang Vieng. Acredito que deve ser uma viagem um pouco mais confortável! Rs!

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Informações úteis

  • Para entrar no Laos é necessário fazer na chegada ao país o visto on arrival, antes da imigração. Não esqueça de levar uma foto 3×4.

  • Não existe exigência específica de nenhuma vacina, como ocorre em outros países do Sudeste Asiático. Mas se você já tiver a vacina da Febre Amarela e da Malária, acho mais segura a visita!

  • O Laos é um país bem barato, por isso tem se tornado o queridinho dos mochileiros. Dá para fazer uma refeição completa por 30.000 KIPs (R$12,00), uma cerveja BeerLao de 600ml por 10.000 KIPs (R$3,80). 

  • Vale levar também repelente e medicação para alergia e antisséptico. Para emergências, use o Tiger Balm, um creme que é vendido em toda Ásia e que funciona como antiinflamatório e antisséptico e custa 1 dólar.

  • A moeda oficial do Laos é o KIP e 1 real vale aproximadamente 2.637 KIPs. O Baht da Tailândia também é aceito livremente, o que é uma boa para quem vem de lá e ainda está com dinheiro tailandês sobrando no bolso.

  • A melhor moeda para levar para o Laos é o Dólar Americano, que também é aceito em muitos lugares. Cartões de crédito das principais bandeiras também são aceitos normalmente.

  • A maioria dos hotéis tem internet wi-fi, mas a velocidade não é grande coisa, mas vamos lembrar que o Laos é um dos países mais pobres do mundo.

  • A maioria dos pratos não se come de garfo e faca, mas de garfo e colher. A colher faz a vez da faca na hora de arrumar a comida no garfo, em geral são pratos que não tem muito o que cortar, como os pratos de arroz.

  • Nunca entre na casa de alguém, nos templos e até mesmo no hotel usando sapatos. É uma das gafes mais feias que alguém pode cometer no Laos. Na porta dos hotéis, inclusive, fica um armário para deixar seus sapatos. Muitos hotéis fornecem chinelos para serem usados só dentro do quarto e áreas em comum.

  • Vá para relaxar. Recomendo no mínimo 2 noites para fazer as atividades propostas pela cidade.

Qualquer outra dúvida, pode deixar aqui nos comentários, ok? ;)

Beijocas,
Mandzy.

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